segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Até que ponto ainda somos seres humanos de valores?


Deficiente é aquele que não sabe ver e ajudar quem necessita, seja ele (a) portadores de síndrome cognitiva, deficiente visual, auditivo ou o que for.
Foi chocada, passada e abismada que vi a reação de cada um no show que ocorreu na quinta- feira passada no pepsi on stage, (show da Maria Gadú e Caetano Veloso).
Minha companheira esta com o tornozelo machucado, e necessita andar de muletas e não pode ficar muito tempo em pé. O machucado ocorreu após a compra do ingresso para o show, entramos em contato com a produtora do evento HITZ para termos a certeza de que poderíamos ver o show sentadas, ou pelo menos, quem estava machucada vir a poder a assistir o show bem. Após entrarmos em contato com a produtora esperemos 24 horas pela resposta e não obtivemos, ligamos novamente e a muito caro custo conseguimos que fosse liberado a nossa entrada na área para portadores de necessidades especiais.
Consultamos o site do Pepsi On Stage e as informações que obtivemos, é que existe no local uma área de acessibilidade para portadores de necessidades especiais, incluído rampas e banheiros adaptados. Quando fui ao toalete não vi os banheiros adaptados e todo o percurso que fizemos foi com a minha companheira pulando degraus, e não vimos as tais rampas citadas no site do local.
Bom, encontramos muita dificuldade em conseguir um local para que sentássemos e víssemos o show, começamos a nossa maratona falando com muitos funcionários do Pepsi On Stage, que nos mandaram para vários lugares diferentes, até que nos deparamos com o segurança André, que estava na divisória entre a pista e as cadeiras pagas, mesmo se queixando de dor, minha companheira não pode sentar-se até a vinda de um responsável pela produção. Sem reação, sim esta foi sua “reação- nenhuma” nos deixou aguardando até que ele visse o que seria possível fazer. Logo tudo que havíamos falado no telefone com a produtora, não fora passado, e ficamos em pé enquanto ele foi ver o que dava para fazer para amenizar a situação. Ai você pensa o que uma pessoa que tem necessidades  especiais passa para conseguir um simples ato de assistir a um show.
O menino da produção retornou com uma cadeira avisando que seria possível apenas quem estava com problemas assistir o show sentada, mas pela lei de acessibilidade 5296, todo e qualquer cidadão tem o direito de um acompanhante. Para acontecer a liberação foi necessário até isso informar, por que infelizmente as pessoas tem na cabeça que quase ninguém sabe de lei nenhuma, mas como não era o caso, o menino da produção após uma conversa mais ignorante permitiu enfim a nossa entrada.
Já sentadas a espera do show, fiquei com toda essa história na cabeça, um absurdo total se ter que passar isso, no nosso caso ok tudo bem, por que afinal de contas foi a 1° vez que isso ocorreu com a gente , mas e quem passa por isso todos os dias? Como que fica? Como que é?
Intrigada com tudo isso redobrei minha atenção no local, se tinha portadores de deficiências aonde tinha e como era tratado, bom num show que a casa estava lotada, vi um cadeirante, perto dos banheiros e o caso dele foi o seguinte: Comprou uma cadeira “normal” e quando chegou a cadeira foi retirada para a colocação da cadeira de rodas, logo se vê que  o estabelecimento não tem condições adeptas para receber portadores de qualquer deficiência, o que deveria ser lei em todo e qualquer lugar!
Para começar uma casa de show deveria ser obrigatório espaços para atender qualquer um/uma, independente de qual o problema, deficientes ou não deficientes todos nós temos direitos de ir e vir neste mundo intolerante nesta sociedade ignorante.
Durante o show, muitas pessoas olhavam com caras e bocas para ela (minha companheira), pisaram em seu pé quase sapatearam, quando caminhávamos para a saída o pessoal via que a mesma tinha dificuldades em caminhar por conta da lesão e ao invés de dar licença se metia na frente, uma falta de tato, sensibilidade incrível de se ver. Como se fosse contagioso, foi o que senti da reação de cada sem noção que encontrei na noite que era para ser um show ponto e acabou.
Semana passada postei em favor das opções sexuais e hoje posto em favor de apenas viver, ser diferente não é um problema, ser diferente é não ser que nem os “normais” que são doentes de alma, preconceituosos do caramba.

“Estava terminando meu texto quando vi no face uma declaração de uma amiga querida, que foi agredida verbalmente por um cara sem escrúpulos, homofóbico filho da mãe. Pessoas que nem ele é doente, sem noção. É por causa de caras que nem este que insisto tanto em falar de preconceitos, discriminação, tudo isso é doença que a sociedade carrega consigo, fere machuca e oprime quem só teve a coragem de amar e se libertar de uma realidade nojenta e completamente machista. (Maluca tem todo o meu apoio nega”.
P.G
Para maiores informações sobre a Lei de acessibilidade - Decreto lei 5296, link abaixo:
http://www.acessobrasil.org.br/index.php?itemid=43

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

15° Parada Livre em Porto Alegre.

Com um diferencial neste ano (2011), a parada gay do Sul, visou não só lutar pela não homofobia, mas também contra a campanha existente para fechar o parque da Redenção, a caminhada conhecida pela marcha gay, foi contra toda e qualquer forma de cercas, para o amor e para o parque, que corre o risco para quem não sabe de ser cercado. Uma pena que não se teve divulgação o suficiente, para quem esteve na Parada, que com toda certeza não sabia de tal.
Essa foi a 15° Parada Livre de Porto Alegre, e a comemoração desta edição ficou por conta do que vem acontecendo nos últimos tempos, a “libertação” para amar quem e o sexo que quiser. Como todos sabem gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis vêm na luta pelo casamento e direitos iguais, e já tem grandes avanços para a não discriminação, mas falta e como falta para simplesmente poder amar livremente.
Como lésbica e ao mesmo tempo publico da Parada Livre, me sinto no direito de falar o que realmente pensei sobre a manifestação. De inicio, venhamos e convenhamos, cada ano que passa a manifestação fica mais distante, a luta pelos direitos mais longe, e o que vale é a festa, pegação e o Parque da Redenção colorido!
A concentração começou às 14h: 00min, com apresentações, shows e DJS; a caminhada que era para começar às 17h: 00mim (atrasou cerca de uma hora).  Quem chegava e se deparava com o que ocorria a primeira impressão, era de que estávamos realmente num show colorido.  Do lado direito do palco, tinha tendas, de grupos GLBT, divulgando o espaço e entregando conteúdos informativos; vale ressaltar, que eram poucos que chegavam para pegar o material distribuído. Os conteúdos dos materiais eram flyers com a programação da Parada Livre, doenças que se pode contrair independente da opção sexual, dicas para médicos, Estudo da Diversidade Sexual e Proposta de Emenda Constitucional, amar com liberdade, chega de Lesbofobia, Atração entre os iguais (poemas), Rio Grande sem homofobia, Outra Visão (população), Comissão Especial de Políticas de Promoção de Gênero (GHC) entre outros.
É  chateada que escrevo em respeito ao respeito; A parada hoje significa curtição, pegação, desfile colorido, sexo por entre as arvores do Parque, gritaria, esbanjamento de riquezas...
Esquece do que tem de mais de importante na Parada Livre, a luta pelos direitos iguais!
A marcha deu inicio com a bandeira do arco-íris (gigantesca), onde foram necessárias muitas mãos para erguê-la (sim lindo de se ver).
1° caminhão- “Rio Grande sem Preconceito”- do partido Socialista Brasileiro (PSB); Muita gente alegre em cima do caminhão, pedindo liberdade de expressão.
2°caminhão- “Partido sem Luta”- na sua maioria trans seminuas em cima do caminhão.
3°caminhão ou digo limousine- do Cine Teatro (danceteria GLBT); Esbanjando riqueza, sem uma luta a não ser o marketing para a própria danceteria (em minha opinião deixou muito a desejar).
4°caminhão “Basta de Homofobia” - de São Leopoldo; Homens (a La gogo- boy) em cima do caminhão chamando as mulheres que estavam embaixo e fazendo caras e bocas, na tentativa inútil de serem sensuais (acho que nem sabiam da luta pelos direitos).
5°caminhão “Em Defesa dos Profissionais da área da Beleza e contra desigualdade e discriminação”- festa total em cima do caminhão (também bonito de se ver).
Houve uma brecha entre o 5° caminhão e o 6°, aonde ocorreu casais heteros em prol da manifestação; um homem em particular me chamou muita a atenção, encontrava-se de cueca, e a parte das nádegas de fora, essa era a roupa dele e sua manifestação, e é ai que pergunto que manifestação é esta???? Se não somos respeitados em locais de trabalhos, noite etc. por conta da nossa opção sexual, é desta maneira, se ridicularizando que vamos conseguir?
6°caminhão- Sem luta, da danceteria Refugiu’s, marketing puro também; em cima do caminhão muitas crianças, que, diga-se de passagem, não é o lugar.
7°e ultimo caminhão “Mezzaniny”-
Sem luta; só homens em cima do caminhão que também era voltado para o marketing.
Essa foi a marcha pela liberdade de expressão dos gays, sim com gente séria querendo mudar essa sociedade machista, mas com muita gente levando como brincadeira e apenas uma festa cheia das cores. A Parda gay visa elaborar propostas que serão levadas a Conferência Nacional LGBT, e é ai que eu digo que deixou a desejar, faltou luta para mudar a nossa realidade mesquinha. Parada Livre não é lugar para expor belezas e estilos e sim uma manifestação para mudar o nosso destino mesmo. Como quem ter vontade de casar, filhos, e ter uma vida como quiser independente da opção sexual. Infelizmente ainda é muito confundido, parada gay leva como peso beleza e pegação, e para mudarmos basta abrir os olhos e ver que gays, lésbicas, transexuais e travestis, ainda perdem a vida e a dignidade em mãos de quem carrega consigo a homofobia, não se é obrigando a população ver as nadegas de fora de alguém, gogo- boys de pênis ereto em cima de caminhões que vamos mudar as leis, isso não faz com que a gente alcance objetivos de apenas viver e sim que fique cada vez mais inferior aos olhos da sociedade que julga sem entender!
Depende de cada um de nós, Gays, Lésbicas, Transexuais, Travestis e Bissexuais para mudar o jeito que somos vistos, e não é expondo o nosso corpo num parque onde se tem a mais diversidade de idades e gêneros que conseguiremos respeito, para mudar não depende só de novas leis, mas sim também dos nossos próprios valores!
P.G
24.10.11

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Momento:

Um dia que não ia postar, mas tudo se complicou e quase nem escrever eu consegui, tamanho a raiva, decepção, mas enfim, ai vai qualquer coisa, um momento, que o que mais desejei é voltar a ser criança.
Giramos e giramos numa complexidade irredutível, alucinada e ao mesmo tempo desejada; fazemos nosso dia a dia com volúpia, estragos e amores passados. Nos dias vividos, deixamos o que era rodeado na presença indesejada, uma vida louca abstrata, alienada. Cada pensamento uma loucura, a cada momento um amor, cada segundo uma historia a desvendar, a cada dia uma sociedade mesquinha para agüentar. No embalo da música, escuto meus desejos, indesejados absurdos, de um mundo bonito e repleto de paz. Sou considerada louca por almejar a felicidade, o amor puro, o sorriso da alma, a vida da vida...
Mas quero viver, e sei dar a volta por cima, busco em cada olhar mistérios para desvendar, me importo com os outros e me deixo de lado enquanto curo minhas feridas e respiro novos dias.
Duas mãos a acariciar as dores da alma que estão eloqüentes, gritante e inconseqüente; sabor de uma vida repleta de sonhos, derrubadas por uma simples mentira sem começo e fim. O dia acabou e junto com ele levou meu sorriso, falso e despercebido que passo o dia esboçando para a vida e para o mundo.
Sou enganada, mas fica a dica: sei enganar também!



“Queria voltar a ser criança,
Um mundo colorido,
Sonhos e mais sonhos bonitos,
Uma vida de alegria,
Brinquedos e contra tempo,
Sem problemas,
Amor só os de verdade,
Sem falsidade,
Longe de mentiras,
Vivendo dia a dia,
Sonhos e mais sonhos,
Uma vida quase de mentira!”
P.G


“Tudo quanto nós próprios descobrimos ou voltamos a descobrir são verdades vivas; a tradição convida-nos a aceitar somente os cadáveres da verdade.” (André Gide)