segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Misturas de Palavras

Ante uma vida da filosofia invertida existe uma sociedade da mais pura sacanagem; Começa mais um breve momento de palavras misturadas, sentimentos escritos para loucos e sem preconceitos: sinta, reflita e leia...
“Um copo d’água reflete o rosto acanhado com olhos apertados profundos e delicados, a boca é avermelhada,  carnuda e expressiva: os pensamentos a tona perante uma realidade ofegante, escarrada e agora repassada.
Eis que descreverei a falha da vida alheia: o que passou ao que se passa, tudo guardado no recinto das estórias, por entre prateleira, pó, gavetas, livros e garrafas...
Sonhos guardados no recinto, escondidos/ empilhados junto aos livros aqueles que levam para outra dimensão/realidade.
  A musica conforme a vida, a vida conforme a musica, embala e leva  na leveza do vento, na angustia do trovão, ilumina igual  relâmpago, és  barulhenta  feito  chuva... cheira a grama do orvalho, digo, as chamas do inferno!
Atrás da porta o mundo, as pessoas e a vida que se faz para lá da porta, não  somos e nem nunca seremos  os mesmos em nosso universo e no universo do teatro, conhecido como nossa realidade.
Nas gavetas dos moveis: as fotografias da vida, a estória do mundo, as guerras do universo, as brigas dos homens, o ódio da humanidade, o medo do jovem em ser feliz, a covardia dos homens, a esperança do futuro e as do passado, as cicatrizes do presente, o sangue inocente, o sangue do pecado, o amor e o ódio.
Em cada parede uma prateleira: uma verdade, um conceito, uma opinião, um sonho, um objetivo, uma vida, uma necessidade, uma verdade, uma religião, um mundo, um, uma, um, uma...
Os sapatos ao canto aonde reflete a luz opaca que vem da rua, do mundo da fantasia, sapatos esses de uma só estória: uma só vida, universo de um só pensamento/sentimento...
Nas garrafas espalhadas pelos cantos: uma lembrança, uma loucura, uma noite de fuga, dias de repulsa, amores de momentos/instantes, noites  em claro, desejos sem medos, vida na rua.
Por toda parte jornais velhos com noticias hoje sem sentido, panos gastos confundidos com vidas e vidas...
Espalhados pelo recinto cinzeiros e cinzeiros de todos os tipos:  porcelana falsificada, plásticos e artesanais cada qual com sua sujeira insana:  cigarros a maconha pura! O que passou e o que se passa, em cada buraco em meio as cinzas o momento de lucidez da alma e dos sonhos, coragem maquiada;  instantes vividos da mais louca insensatez.  Há quem vive nessa esfera e diz que é impossível aqui sobreviver sem se enlouquecer!
Duas grandes janelas uma aberta para o real e outra fechada para a vida: Uma emana o silencio, o sentimento, as vezes o escuro as vezes o tormento; reflete se esta escuro ilumina se faz sol. Já a outra deixa entrar os barulhos mundanos: conversas, brigas, passos, a não vida, a pressa dos dias, das horas, dos minutos, a angustia em viver, aonde não existe a calma e o sentimento não floresce...  Aonde nossas vidas acontecem e aonde fazemos acontecer.
 Nas bolsas a bagagem de toda estória com a filosofia dessa e daquela sociedade, futuro e passado tudo entrelaçado, com suas verdades e com sua falta de ingenuidade.
No canto esquerdo empoeirado do quadrado que relato, encontra-se um baú esquecido/largado, sujo, repleto dos segredos e momentos registrados; a tampa é antiga com o cadeado que não tranca, esta encardido, vivido; uma fresta mostra retratos da vida do passado, aquela que repassa agora, mas, em outra outrora, sim, somos a continuação dos tempos igual ao que passou porem de novos tempos! Retrato preto e branco com as bordas amareladas, quase que apagadas revelam estórias de vidas e pessoas, nossas vidas, nossas pessoas!
Composto de uma imensidão esse mundo que esta inserida a sociedade capitalista, ainda assim, existem quadrados, quartos e recintos que guardam segredos de uma eternidade que hoje refaz a historia, a mesma estória. Lugares que denunciam a verdade que é verdade do sonho oposto ao amor que vira tristeza, represa nesse mundo de loucos, insanos... apenas humanos...
O rosto acanhado é a humanidade, os olhos apertados profundos e delicados são nossas verdades; nossa liberdade presa na atualidade e a boca é avermelhada,  carnuda e expressiva: ousados aqueles que abrem a imaginação para os pensamentos a tona perante uma realidade ofegante, escarrada e agora repassada!” 


(Paula Golombiewski
1de novembro  2012)