Escuto o cantar dos pássaros e sinto na
pele o vento quente que sopra bem a minha frente, olho pelas janelas grandes e
velhas um céu de azul profundo, instigante para cada pensamento que se faz
presente na sala que me escondo; O sol
brilha, os raios penetram minha vida sem pedir licença a minha dor, iluminam o
recinto que tanto queria que fosse invisível, junto vem recordações, vontades e libertinagem que hoje deixei do outro lado da
porta longe de mim e das minhas oscilações.
Por entre concreto sujo e passado enxergo arvores que mexem de acordo com o
soprar do vento, tudo exposto pelos olhos das minhas velhas janelas que nada
deixam escapar, pois conseguem me mostrar o mundo que há.
O barulho mundano não me deixa esquecer que ainda faço parte dessa loucura
chamada “viver cada dia”; meu corpo não esta lá mas consigo sentir o mundo e
seu peso, sua verdade e suas inúmeras mentiras.
Os minutos correm, as horas passam e eu aqui a deriva de diversos devaneios: um
cigarro, uma dose da mais forte... quem sabe assim um esquecimento do real. Escrevo
as vontades sem ter no intimo a coragem, um cigarro quem sabe eis o pensamento
mais cruel: “fumaria um cigarro admirando este céu azul brilhante e feroz, o
sol me iluminaria rindo das minhas não energias.”
Tudo poderia ser possível nessas próximas horas do dia que será longo, rápido e
de uma só vez bloqueado da realidade presente e futura; hoje assumo minhas
verdades de outrora. Sob os raios de sol intrusos me recordo.
Permito-me escrever enquanto as janelas mostram a realidade que se faz lá fora.
As vozes são misturadas, diferentes insanidades que ficam registradas nos vidros de ambas as janelas,
historias que acontecem logo atrás da porta.
Minha inquietação é tamanha que parece não caber na sala que me abriga, o tempo
vai passando e o desconforto aumenta, o sol invade e clareia a loucura que esta
minha vida; o vento há tempo sumiu restou o calor e o bafo das incertezas, o
céu esta mais azul e mais perto da janela, estou quase cega tamanha a claridade
que invade, as horas passaram e nem dei
por conta que a vida continua.
O ronco dos carros, o barulho das motos, as vozes estranhas e a realidade mundana entram na
minha sala e invadem minha vida confusa e hoje sem nexo; tudo pode ser
percebido e escutado, o sorriso, o choro e as brigas... tudo acontece logo ali
depois das janelas, é possível ouvir o
pisar alheio, há quem arrasta os pés e também aquele que pisa com força, cada
um cada qual, jeitos e trejeitos.
O dia se foi junto com os raios que me fizeram companhia, o entardecer se fez
barulhento e cheio de acontecimentos, nada que fizesse esquecer ou pelo menos descrer;
amanha mais um dia, a volta a realidade, a minhas reais verdades, hoje foi só um
tormento, esse que acontece a almas atormentadas e desesperadas.
Foi longo e quase interminável mas agora parte,é, foi só mais um dia.
Paula Golombiewski
(10 de dezembro de 2012).
(10 de dezembro de 2012).
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