sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Noite.


“A música toca no ambiente escuro,
A janela entreaberta deixa que o vento quase quente entre sem pedir licença,
Tudo proposital, quem sabe assim me desligo do mundo e esqueço de mim,
Uma garrafa de uísque em cima da mesa a me chamar,
Cigarros e cigarros a queimar,
Nada mais tem sentido,
Sou agora livre que nem uma pluma,
O sorriso solto, sozinha, envolto,
Canto alto e mergulho de vez no meu mundo,
Danço para mim, como criança choro sem limites,
Nada mais vai voltar,
Aqueles tempos da juventude aonde podia-se tudo,
Como paginas de um livro velho,
Revivo minha vida sem muitos mistérios,
Amei a todos e esqueci de me amar,
Chorei alegrias,
Sorri para nostalgias,
Mais um copo, mais um sorriso, mais um sonho,
Uma vida cantada nos altos falantes do som,
Já quase não sei quem sou,
A mente a falhar, as pernas bambas, e mesmo assim revivo tudo que já passou,
Morei ali, morei aqui,
Reclamei do mundo, fui igual a qualquer um,
Sempre encontrei defeitos na sociedade dos imperfeitos,
Tive, tenho e terei sede do amor,
Da vida já nem sei,
Das pessoas talvez,
A musica repete insistentemente,
Grito alto acompanhando o som,
Faço pausas para as tragadas sem fim do maldito cigarro,
Uma, duas, três carteiras para a noite que se apresenta,
Os ânimos estão fracos, o álcool já causa estragos,
Mas quero reviver, me lembrar do que já foi,
Quem sabe dói menos o adeus obrigada pelo mesmo,
As pedras de gelo no copo agora sorriem para mim,
Me fazem companhia na noite que já não tem mais fim,
Canto para elas, esqueço todo e qualquer principio,
Os cigarros acabaram,
A garrafa esta vazia,
Me inclino na janela e olho para lua,
Agradeço minhas loucuras,
Fecho os olhos e só vejo o sorriso do medo,
Os olhos escondidos,
Tudo beira o mais profundo perigo...”
P.G

Nenhum comentário:

Postar um comentário